STJ mantém medidas cautelares contra advogado acusado de fraudes para obtenção de benefícios penais na Paraíba

Data:

A man in a black suit loosening his tie
Photo by Ben Rosett on Unsplash

O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luis Felipe Salomão, no exercício da presidência da Corte, negou pedido de liminar que buscava a revogação das medidas cautelares impostas a um advogado acusado da prática reiterada de crimes, entre eles falsidade ideológica e corrupção ativa, em ao menos 95 ocasiões.

Atualmente, o investigado cumpre medidas como a suspensão do exercício da advocacia, a proibição de frequentar estabelecimentos prisionais e o uso de monitoramento eletrônico. As restrições foram determinadas pelo STJ em junho de 2024, no julgamento do HC 909.766, quando a prisão preventiva foi substituída por cautelares diversas.

De acordo com o Ministério Público, o advogado integraria uma organização criminosa voltada à obtenção fraudulenta de benefícios penais em favor de líderes de facções criminosas custodiados na penitenciária de Cajazeiras, no interior da Paraíba.

Segundo a acusação, sob o pretexto de atuação profissional, o denunciado utilizaria documentos falsificados — como laudos médicos, certidões carcerárias e declarações de trabalho ou estudo — para pleitear vantagens indevidas, a exemplo de prisão domiciliar e remição de pena. Em troca, receberia valores elevados, disfarçados de honorários advocatícios.

Defesa questiona proporcionalidade das medidas

No habeas corpus impetrado no STJ, a defesa alegou que os fundamentos que embasaram as medidas cautelares não mais persistem, sustentando inexistir risco atual à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. Argumentou ainda que a duração prolongada das restrições configuraria antecipação de pena, em afronta ao princípio da presunção de inocência.

A defesa também afirmou que a suspensão do exercício profissional tem causado prejuízos excessivos ao réu e que o monitoramento eletrônico poderia ser substituído por providência menos gravosa. Com isso, requereu a revogação integral das cautelares ou, subsidiariamente, a exclusão do monitoramento eletrônico e a limitação das demais medidas à comarca de Cajazeiras.

Limitação de competência do STJ

Ao analisar o pedido, o ministro Luis Felipe Salomão ressaltou que o STJ somente possui competência para processar e julgar habeas corpus quando a autoridade apontada como coatora for tribunal sujeito à sua jurisdição, conforme dispõe o artigo 105, inciso I, alínea “c”, da Constituição Federal. Assim, destacou que a Corte não pode revogar medidas cautelares impostas em habeas corpus anteriormente julgado pelo próprio STJ.

Em relação ao monitoramento eletrônico, o ministro entendeu que, em juízo preliminar, não se verifica ilegalidade manifesta ou situação de urgência que autorize a concessão da liminar.

Leia a decisão no HC 1.067.450.

(Com informações do STJ)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TJ-PI apresenta novas ferramentas de Inteligência Artificial para modernizar serviços do Judiciário

O Tribunal de Justiça do Piauí apresentou novas ferramentas de Inteligência Artificial desenvolvidas pelo Opala Lab para auxiliar magistrados e servidores, otimizar processos e modernizar os serviços judiciais. As soluções incluem sistemas de transcrição de audiências, análise processual e organização de bases de conhecimento, com foco em segurança, autonomia tecnológica e eficiência.

TJ-SP analisará pedido para excluir filiação materna do registro civil

O TJ-SP deverá analisar recurso de uma mulher que busca excluir a filiação materna de sua certidão de nascimento após relatar ter sido vítima de graves abusos durante a infância. Embora a sentença de primeiro grau tenha reconhecido os traumas e autorizado a retirada dos sobrenomes maternos, o pedido de desconstituição da maternidade foi negado sob o fundamento de que a filiação biológica deve permanecer registrada.

TJ mantém condenação de Marcelo Crivella por uso não autorizado de imagem em campanha eleitoral

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a condenação do senador Marcelo Crivella ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais a um estudante que teve sua imagem e seu depoimento utilizados, sem autorização, em propaganda eleitoral. A Corte rejeitou novos recursos da defesa e preservou a sentença que também envolve o Partido Republicanos.

Licenciamento de novos data centers no Ceará reacende debate sobre impactos ambientais e consumo de energia

Dois novos projetos de data centers em Caucaia (CE) estão em fase de licenciamento ambiental e poderão consumir energia equivalente à utilizada por 4,5 milhões de residências, volume superior ao total de domicílios do estado. A dimensão dos empreendimentos intensificou o debate sobre os impactos ambientais, o consumo de água, o licenciamento simplificado e a necessidade de consulta às comunidades potencialmente afetadas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo