TJMG mantém negativa de indenização por bloqueio preventivo de conta bancária diante de movimentação atípica

Data:

Cartão de Crédito
Imagem meramente ilustrativa – Créditos: Niphon Khiawprommas / iStock

A 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve sentença da Comarca de Cambuí, no Sul do Estado, que rejeitou o pedido de indenização por danos morais formulado por comerciante que teve bloqueado o montante de R$ 154 mil em sua conta bancária, em razão de movimentação financeira considerada atípica pela instituição financeira.

Segundo consta dos autos, o autor, proprietário de restaurante, alegou ter celebrado quatro contratos de fornecimento de refeições, em decorrência dos quais recebeu, em um único dia, a quantia de R$ 154 mil. Diante da incompatibilidade da operação com o perfil financeiro habitual da empresa, classificada como de pequeno porte, o banco promoveu o bloqueio temporário dos valores, com fundamento em cláusulas contratuais e em mecanismos de prevenção a fraudes.

Na ação judicial, o comerciante sustentou ter sofrido abalo moral em razão da indisponibilidade dos recursos, afirmando que não conseguiu honrar compromissos com funcionários e fornecedores. O pedido foi julgado improcedente em primeiro grau, decisão contra a qual interpôs recurso.

Ao analisar a apelação, o relator, juiz convocado Christian Gomes Lima, entendeu que o bloqueio preventivo se mostrou legítimo e proporcional, por estar amparado contratualmente e inserido no contexto das políticas de combate à lavagem de dinheiro e de prevenção a fraudes eletrônicas, voltadas à proteção da segurança do sistema financeiro.

Conforme destacado no voto, a adoção de medidas cautelares diante de operações que destoam do padrão usual do cliente não configura, por si só, ilícito indenizável, tratando-se de prática justificada e, em determinados casos, exigida pelos normativos de compliance e de regulação bancária.

No tocante aos danos morais, o colegiado concluiu que o autor não logrou êxito em comprovar os prejuízos alegados. Foram consideradas frágeis as provas apresentadas, consistentes em capturas de tela de conversas em aplicativos e anotações informais, desprovidas de cadeia de custódia adequada e insuficientes para demonstrar abalo à honra ou à credibilidade comercial. Também não houve comprovação de que o comerciante tenha sido compelido a contrair empréstimos para suprir a suposta falta de liquidez.

A decisão foi unânime.

Acórdão nº 1.0000.25.406464-5/001

(Com informações do TJ-MG)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Candidata recorre à Justiça após desclassificação de concurso por uso de medicamento hormonal

Candidata ao concurso da Polícia Penal de Minas Gerais foi considerada inapta na avaliação médica após apresentar documentação indicando histórico de câncer de mama e uso contínuo de tamoxifeno. Ela afirma que exames recentes não apontam atividade da doença e questiona judicialmente a desclassificação, invocando o entendimento do STF no Tema 1.015. Os pedidos de liminar e o recurso apresentado pela candidata foram negados, enquanto o processo principal continua em tramitação.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo