Seleção reúne clássicos sobre defesa, acusação, provas, retórica, psicologia judiciária, filosofia e fundamentos do Direito Penal
A atuação no Tribunal do Júri exige uma formação que ultrapassa o conhecimento do Código Penal e do Código de Processo Penal. O advogado precisa interpretar provas, formular narrativas coerentes, comunicar conceitos jurídicos em linguagem acessível e compreender os fatores humanos que influenciam o julgamento.
Com base nessa realidade, o advogado criminalista Roberto Parentoni elaborou uma relação de 50 livros recomendados aos profissionais interessados na atuação perante o Conselho de Sentença. A lista foi publicada originalmente em 2016, quando o autor já acumulava experiência iniciada em 1991 e participação em mais de 250 sessões plenárias.
A bibliografia reúne obras jurídicas e clássicos de filosofia, lógica, literatura, psicologia e retórica. Alguns títulos são antigos e podem estar esgotados, mas preservam valor histórico para a compreensão da formação da advocacia criminal brasileira.
1. A Arte de Acusar, de J. B. Cordeiro Guerra
A atuação da acusação no Tribunal do Júri exige domínio dos fatos, das provas e da responsabilidade que acompanha o pedido de condenação. A obra apresenta aspectos relacionados à formulação da tese acusatória e à exposição organizada dos argumentos perante os jurados.
Sua leitura também pode ser útil aos defensores. Conhecer a estrutura e os recursos empregados pela acusação permite antecipar argumentos, identificar fragilidades e preparar respostas mais eficientes durante os debates.
2. A Beca Surrada, de Alfredo Tranjan
O livro aproxima o leitor do cotidiano forense e dos desafios enfrentados por quem constrói uma carreira nos tribunais. O próprio título evoca uma advocacia formada pela experiência, pela persistência e pelo contato contínuo com conflitos humanos.
Para o profissional do Júri, esse tipo de narrativa possui especial relevância. A prática em plenário não se resume à aplicação abstrata da lei, pois envolve pessoas, emoções, expectativas, erros e consequências que podem acompanhar o acusado pelo restante da vida.
3. A Defesa em Ação, de Laércio Pellegrino
A obra volta-se à dimensão prática da defesa criminal, demonstrando que uma boa tese somente produz resultados quando é transformada em atuação estratégica. O defensor precisa saber quando falar, quais provas explorar e como organizar os argumentos.
No Júri, a defesa é construída ao longo de todo o processo, e não apenas durante a sessão plenária. A leitura ajuda a compreender a importância da preparação antecipada, da coerência entre as manifestações processuais e da adaptação às circunstâncias do julgamento.
4. A Defesa Tem a Palavra, de Evandro Lins e Silva
Evandro Lins e Silva foi um dos grandes nomes da advocacia criminal brasileira. Nesta obra, o leitor encontra reflexões e experiências que demonstram como a defesa pode combinar conhecimento jurídico, sensibilidade humana e capacidade de comunicação.
O livro evidencia que a palavra do advogado deve estar vinculada às provas e à proteção das garantias fundamentais.
Mais do que oferecer exemplos de eloquência, a publicação revela uma concepção de advocacia comprometida com a dignidade da pessoa submetida ao poder punitivo.
5. A Espada de Dâmocles da Justiça: o discurso no Júri, de Valda O. Fagundes
A imagem da espada de Dâmocles representa o risco e a responsabilidade presentes no julgamento de um crime doloso contra a vida. Cada afirmação feita no plenário pode influenciar diretamente a decisão sobre a liberdade do acusado.
A obra convida o leitor a refletir sobre os limites éticos e jurídicos da argumentação. Acusação e defesa devem exercer plenamente suas funções, mas sem transformar o julgamento em espaço de manipulação, humilhação ou exploração indevida das emoções.
6. A Instituição do Júri, de José Frederico Marques
O livro apresenta fundamentos jurídicos e institucionais do Tribunal do Júri, permitindo compreender sua formação e sua posição no sistema processual brasileiro. Trata-se de uma leitura importante para o estudo histórico e dogmático do julgamento popular.
A compreensão do instituto ajuda o advogado a perceber que o Júri não é apenas um procedimento previsto no Código de Processo Penal. Ele constitui uma garantia reconhecida constitucionalmente, relacionada à participação popular na administração da Justiça e à plenitude de defesa.
7. A Lógica das Provas em Matéria Criminal, de Nicola Framarino dei Malatesta
A obra investiga os caminhos racionais empregados na avaliação da prova criminal. O autor examina como fatos, indícios, depoimentos e inferências podem contribuir para a formação de uma conclusão sobre a responsabilidade penal.
A leitura é especialmente relevante porque, no Júri, os jurados decidem sem apresentar fundamentação escrita. Cabe às partes demonstrar, de maneira clara, quais conclusões podem ser legitimamente extraídas das provas e quais afirmações dependem apenas de suposições.
8. A Matemática nos Tribunais, de Leila Schneps e Coralie Colmez
O livro demonstra como estatísticas, probabilidades e cálculos matemáticos podem ser utilizados corretamente ou de maneira enganosa nos processos judiciais. Erros de interpretação numérica podem produzir conclusões aparentemente científicas, mas materialmente equivocadas.
A obra é útil nos julgamentos que envolvem exames periciais, dados genéticos, probabilidades ou reconstruções técnicas. O advogado precisa compreender os números apresentados para explicar aos jurados o verdadeiro alcance da informação científica.
9. A Mentira e o Delinquente, de Sousa Neto
A publicação aborda questões relacionadas à mentira, ao comportamento humano e às dificuldades envolvidas na avaliação da credibilidade. O tema possui conexão direta com interrogatórios, depoimentos e versões contraditórias apresentadas no processo criminal.
Sua leitura recomenda cautela diante da ideia de que seria possível reconhecer automaticamente uma mentira pela postura ou pelas reações de uma pessoa. Medo, nervosismo, trauma e dificuldade de comunicação não podem ser confundidos, sem base segura, com sinais de falsidade.
10. A Revolução da Palavra, de Pedro Paulo Filho
A obra destaca o poder transformador da linguagem e a influência exercida pelas palavras sobre a compreensão da realidade. No plenário, escolher corretamente os termos pode determinar se uma tese será entendida ou permanecerá inacessível aos jurados.
O livro contribui para uma comunicação mais consciente. O advogado deve evitar tanto o excesso de linguagem técnica quanto a simplificação capaz de distorcer os fatos ou o conteúdo jurídico discutido.
11. Advocacia Criminal, de Manoel Pedro Pimentel
A publicação examina fundamentos e particularidades do exercício da advocacia na área penal. Além do conhecimento técnico, a atuação criminal exige independência, coragem profissional e compromisso com o direito de defesa.
Para quem pretende atuar no Júri, a obra auxilia na compreensão da função institucional do advogado. Defender uma pessoa acusada não significa concordar com a conduta imputada, mas garantir que nenhuma condenação seja produzida sem respeito às regras do processo.
12. Agenda Literária para Júri, de Lilia A. Pereira da Silva
O livro aproxima literatura, repertório cultural e atuação em plenário. Referências literárias podem contribuir para a construção de imagens, analogias e reflexões capazes de tornar o discurso mais compreensível.
Esses recursos, contudo, precisam ser empregados com equilíbrio. Uma citação somente possui utilidade quando estabelece conexão efetiva com o caso e ajuda os jurados a compreender determinado argumento.
13. As Alterações no Processo Penal, de Roberto Parentoni
A obra examina mudanças legislativas e seus efeitos sobre a prática processual penal. O acompanhamento das alterações normativas é indispensável porque o procedimento do Júri sofreu importantes transformações ao longo do tempo.
Embora edições antigas devam ser complementadas por legislação e jurisprudência atualizadas, o livro conserva interesse histórico. Ele permite observar como as reformas processuais modificaram estratégias, prazos e formas de atuação da acusação e da defesa.
14. As Misérias do Processo Penal, de Francesco Carnelutti
Francesco Carnelutti apresenta uma reflexão profundamente humana sobre o processo penal e seus personagens. A obra mostra que o acusado não pode ser reduzido ao fato descrito na denúncia nem tratado como simples objeto da atividade estatal.
O livro também questiona a exposição, o estigma e o sofrimento produzidos pelo processo. Para o advogado do Júri, a leitura reforça a necessidade de apresentar aos jurados a pessoa existente por trás da acusação, sem ignorar a vítima ou a gravidade dos fatos.
15. Como Julgar, Como Defender, Como Acusar, de Roberto Lyra
A obra examina as diferentes funções desempenhadas no julgamento criminal. Ao conhecer as perspectivas da acusação, da defesa e do julgador, o leitor compreende melhor os deveres e os limites de cada participante.
Essa visão integrada é particularmente útil no Júri. O advogado precisa sustentar sua tese com firmeza, mas também deve antecipar objeções, compreender o raciocínio da parte contrária e identificar as dúvidas que podem surgir entre os jurados.
16. Crimes e Criminosos Célebres, de Raimundo de Menezes
O livro apresenta episódios criminais e personagens que despertaram interesse social. Casos históricos permitem observar como a opinião pública, a imprensa e as concepções morais de cada época podem influenciar a percepção sobre o crime.
A leitura ajuda a desenvolver uma postura crítica diante dos julgamentos de grande repercussão. A popularidade de uma versão não substitui a prova, assim como a pressão social não deve determinar o resultado de um processo.
17. Defesas Penais, de Romeiro Neto
A obra reúne manifestações e estratégias empregadas na defesa de pessoas acusadas. A leitura de defesas concretas permite observar como princípios e regras jurídicas são transformados em argumentos aplicáveis a situações reais.
O valor desse tipo de publicação está menos na reprodução de fórmulas e mais na identificação do método utilizado. Cada processo possui características próprias, exigindo que o advogado adapte a tese às provas efetivamente produzidas.
18. Defesas que Fiz no Júri, de Dante Delmanto
O livro apresenta experiências do autor no Tribunal do Júri e permite conhecer a construção de teses em casos concretos. Relatos desse gênero aproximam o leitor da atmosfera e das dificuldades próprias do plenário.
A obra também demonstra que a atuação oral é resultado de preparação. A aparente espontaneidade de um bom discurso normalmente se apoia no estudo detalhado dos autos, no domínio das provas e na antecipação dos argumentos adversários.
19. Discurso do Método e Meditações, de René Descartes
Os textos de Descartes oferecem instrumentos para refletir sobre método, dúvida e construção do conhecimento. Embora não sejam obras jurídicas, contribuem para o desenvolvimento do raciocínio crítico.
No processo criminal, a dúvida não é uma deficiência a ser escondida, mas uma questão que precisa ser examinada. A leitura pode ajudar o advogado a separar fatos demonstrados, inferências possíveis e afirmações sem sustentação probatória.
20. Discursos de Acusação, de Enrico Ferri
A obra permite analisar a estrutura de manifestações acusatórias e as técnicas empregadas para apresentar uma determinada leitura do crime. Discursos históricos revelam tanto recursos argumentativos eficientes quanto concepções penais vinculadas ao contexto de sua época.
O defensor pode utilizar essa leitura para compreender como se constrói uma narrativa acusatória. Já o acusador encontra elementos para refletir sobre a responsabilidade de formular um pedido de condenação baseado em provas, e não em estereótipos.
21. Discursos Penais de Defesa, de Enrico Ferri
O livro reúne manifestações voltadas à defesa e possibilita estudar diferentes formas de enfrentar acusações criminais. A comparação entre discursos de acusação e de defesa demonstra como os mesmos fatos podem receber interpretações divergentes.
A obra também favorece o estudo da organização das ideias. Introdução, exposição dos fatos, análise das provas e conclusão precisam formar um conjunto coerente para que o argumento seja assimilado pelos jurados.
22. Do Espírito das Leis, de Montesquieu
O clássico de Montesquieu é fundamental para a compreensão da organização do Estado, da separação dos poderes e da necessidade de controle do exercício da autoridade.
No campo penal, esses fundamentos recordam que o poder de acusar e punir precisa ser limitado. A atuação no Júri deve respeitar as garantias constitucionais, o devido processo legal e a independência dos participantes do julgamento.
23. Dos Delitos e das Penas, de Cesare Beccaria
Cesare Beccaria critica a crueldade das penas, a tortura e os abusos do sistema punitivo. A obra contribuiu decisivamente para a formação de uma concepção racional e humanitária do Direito Penal.
Sua leitura permanece atual porque o julgamento criminal frequentemente desperta desejos de vingança. O advogado precisa distinguir a legítima responsabilização jurídica de respostas impulsivas ou desproporcionais.
24. Ensaios sobre a Eloquência Judiciária, de Maurice Garçon
A publicação discute a arte da comunicação no ambiente forense. A eloquência jurídica não depende apenas de voz forte ou de frases impactantes, mas da capacidade de apresentar ideias com clareza, precisão e credibilidade.
No Júri, o excesso de teatralidade pode prejudicar a confiança dos jurados. O livro auxilia na compreensão de uma oratória conectada aos fatos e subordinada à responsabilidade profissional.
25. Famosos Rábulas no Direito Brasileiro, de Pedro Paulo Filho
A obra resgata a trajetória de defensores que, embora não possuíssem formação jurídica formal, conquistaram reconhecimento pela atuação nos tribunais. Os rábulas ocuparam espaço relevante na história da Justiça brasileira.
As narrativas mostram a importância da experiência, da comunicação e do conhecimento prático. Ao mesmo tempo, devem ser lidas dentro do contexto histórico em que essa forma de atuação era admitida.
26. Grandes Advogados, Grandes Julgamentos. No Júri e Noutros Tribunais, de Pedro Paulo Filho
O livro apresenta profissionais e casos que marcaram a história da advocacia. A análise de grandes julgamentos permite compreender como teses jurídicas e discursos podem produzir efeitos para além do processo individual.
A obra também oferece referências sobre postura, preparação e responsabilidade. Os exemplos não devem ser imitados mecanicamente, mas utilizados para ampliar o repertório do leitor.
27. Grandezas e Misérias do Júri, de José Aleixo Irmão
A publicação examina virtudes e fragilidades do julgamento popular. O Júri aproxima a sociedade da Justiça, mas também está sujeito a preconceitos, pressões externas e decisões influenciadas por fatores não jurídicos.
Essa perspectiva crítica é indispensável para quem atua em plenário. Reconhecer as limitações da instituição permite construir uma prática mais cuidadosa e comprometida com julgamentos justos.
28. Júri, de Firmino Whitaker
A obra integra a bibliografia clássica sobre o Tribunal do Júri. Seu interesse está na apresentação histórica e jurídica da instituição em períodos anteriores de sua evolução legislativa.
Por se tratar de um trabalho antigo, suas referências procedimentais precisam ser confrontadas com a Constituição de 1988, o Código de Processo Penal atualizado e a jurisprudência contemporânea. Ainda assim, o livro ajuda a compreender as raízes da prática atual.
29. Júri: as linguagens praticadas no plenário, de Thales Nilo Trein
O livro examina a pluralidade das linguagens utilizadas durante o julgamento. Comunicação verbal, gestos, tom de voz, silêncio, recursos visuais e organização do espaço podem influenciar a recepção da mensagem.
A obra é valiosa porque o plenário envolve mais do que palavras. O profissional deve observar sua postura e seus recursos comunicativos, evitando comportamentos que retirem seriedade ou clareza da apresentação.
30. No Plenário do Júri, de João Meireles Câmara
A publicação aproxima o leitor da dinâmica concreta da sessão plenária. O ambiente do Júri exige capacidade de adaptação, pois depoimentos, decisões incidentais e argumentos da parte adversária podem alterar a estratégia inicialmente planejada.
A preparação deve, portanto, prever diferentes cenários. O domínio dos autos proporciona segurança para ajustar o discurso sem perder coerência ou abandonar a tese central.
31. O Advogado e a Defesa Oral, de Vitorino Prata Castelo Branco
A obra dedica-se à exposição oral realizada pelo advogado. O defensor precisa organizar o tempo, selecionar os argumentos e estabelecer uma sequência compreensível para o público.
A leitura ajuda a refletir sobre clareza, ritmo, tom de voz e postura. Esses elementos não substituem o conteúdo, mas influenciam diretamente a maneira como ele será recebido.
32. O Advogado e a Moral, de Maurice Garçon
O livro aborda dilemas éticos enfrentados no exercício da advocacia. A defesa de pessoas acusadas de crimes graves pode gerar incompreensão social, mas constitui função essencial ao Estado de Direito.
A obra contribui para distinguir o compromisso profissional com o cliente de qualquer identificação com o fato imputado. Também estimula a reflexão sobre os limites éticos da estratégia e da argumentação.
33. O Advogado não pede, advoga, de Paulo Lopes Saraiva
O título exprime a ideia de que o advogado não deve implorar pela aplicação do Direito. Sua função é sustentar, com independência e fundamento, as garantias pertencentes à pessoa representada.
No Júri, essa postura exige firmeza sem arrogância. O profissional deve respeitar os jurados e os demais participantes, mas não pode renunciar à defesa de direitos por receio de desagradar.
34. O Advogado no Tribunal do Júri, de Vitorino Prata Castelo Branco
A publicação trata especificamente das responsabilidades e dos desafios do defensor no julgamento popular. O advogado precisa dominar o procedimento e desenvolver uma comunicação compreensível para pessoas sem formação jurídica.
A obra reforça a necessidade de preparação integral. Conhecimento dos autos, elaboração dos quesitos, domínio das nulidades e construção da narrativa fazem parte de uma mesma estratégia defensiva.
35. O Delito de Matar, de Olavo Oliveira
O livro dedica-se ao estudo jurídico do homicídio e das questões relacionadas ao crime de matar. O tema ocupa posição central na competência constitucional do Tribunal do Júri.
A análise dos elementos objetivos e subjetivos do homicídio é indispensável para a correta formulação das teses. Dolo, culpa, qualificadoras, privilégios, legítima defesa e participação precisam ser avaliados à luz das provas de cada processo.
36. O Dever do Advogado, de Rui Barbosa
A obra foi construída a partir da resposta de Rui Barbosa a uma consulta sobre a defesa de uma pessoa acusada de crime grave e socialmente repudiada. Seu argumento central é que o direito de defesa não desaparece diante da impopularidade do acusado.
O texto permanece essencial para a formação ética do criminalista. Ele recorda que a advocacia não pode selecionar causas apenas conforme a aprovação pública, pois a defesa técnica integra a própria legitimidade do julgamento.
37. O Direito de Calar, de Serrano Neves
A publicação examina o silêncio como manifestação do direito de defesa. A pessoa acusada não pode ser obrigada a produzir provas contra si mesma.
No plenário, o exercício do silêncio não deve ser apresentado como sinal de culpa. Cabe à defesa impedir que uma garantia constitucional seja transformada em argumento desfavorável ao acusado.
38. O Direito de Defesa, de L. A. Medica
A obra aborda os fundamentos e a relevância do direito de defesa no processo criminal. A defesa não constitui obstáculo à Justiça, mas condição para que a decisão seja legítima.
No Tribunal do Júri, a Constituição assegura a plenitude de defesa. Esse conceito ultrapassa a simples presença de um advogado e exige atuação efetiva, preparação adequada e possibilidade real de enfrentamento da acusação.
39. O Júri sob todos os aspectos, de Roberto Lyra
O livro oferece uma visão ampla da instituição do Júri, examinando personagens, procedimentos e práticas do julgamento popular. A abordagem permite ao leitor perceber a interação entre Direito, comportamento e comunicação.
Embora aspectos procedimentais antigos precisem ser atualizados, a obra conserva valor histórico. Ela ajuda a compreender tradições que ainda influenciam a cultura do plenário brasileiro.
40. O Salão dos Passos Perdidos, de Evandro Lins e Silva
O livro reúne memórias de Evandro Lins e Silva e retrata episódios relevantes da advocacia, da Justiça e da política brasileira. A obra revela como a trajetória profissional do criminalista esteve relacionada a momentos decisivos da história nacional.
Além do valor histórico, a publicação oferece ensinamentos sobre coragem, independência e responsabilidade. O leitor encontra uma visão humanista da advocacia e das instituições.
41. Orações, de Marco Túlio Cícero
Os discursos de Cícero constituem referências clássicas para o estudo da retórica. Eles demonstram como organizar argumentos, dialogar com o público e responder às posições adversárias.
A leitura deve ser acompanhada de senso crítico, especialmente porque as práticas políticas e judiciais da Antiguidade diferem das atuais. Ainda assim, a estrutura persuasiva dos discursos permanece útil para quem trabalha com comunicação oral.
42. Os Grandes Processos do Júri, de Carlos de Araújo Lima
A obra recupera julgamentos que alcançaram relevância histórica ou social. O estudo de casos permite observar como provas, teses e circunstâncias externas influenciaram diferentes processos.
Essas narrativas também ajudam a identificar erros e acertos. O advogado pode comparar estratégias, perceber o impacto da opinião pública e refletir sobre a evolução das garantias processuais.
43. Prática da Advocacia Criminal, de Roberto Parentoni
O livro examina questões concretas do trabalho do advogado criminalista. A obra aproxima o conhecimento jurídico das decisões práticas exigidas ao longo do processo.
Para o profissional iniciante, a leitura pode ajudar a compreender que cada providência processual interfere nas etapas seguintes. No Júri, uma estratégia adequada precisa começar muito antes da sessão plenária.
44. Princípios de Direito Criminal: o criminoso e o crime, de Ferri
A publicação apresenta concepções históricas sobre criminalidade, responsabilidade e características atribuídas ao autor do delito. Ela está relacionada às correntes criminológicas e penais desenvolvidas no período de sua elaboração.
A leitura contemporânea exige cuidado crítico, pois algumas teorias antigas foram superadas ou rejeitadas. Seu valor está principalmente na compreensão da evolução do pensamento penal e da influência exercida por determinadas escolas.
45. Psicologia Judiciária, de Enrico Altavilla
O livro examina aspectos psicológicos relacionados aos participantes do processo. Acusados, vítimas, testemunhas, peritos e julgadores podem perceber e relatar o mesmo acontecimento de maneiras diferentes.
A obra ajuda o advogado a compreender as limitações da memória e da percepção humana. Contudo, interpretações psicológicas devem evitar diagnósticos improvisados e conclusões sem sustentação científica.
46. Reminiscências de um Rábula Criminalista, de Evaristo de Morais
A publicação reúne lembranças e experiências de Evaristo de Morais, personagem importante da história da advocacia criminal brasileira. O livro permite conhecer casos, práticas e costumes forenses de outra época.
As memórias demonstram como a advocacia se desenvolveu em meio a transformações institucionais e sociais. Também oferecem exemplos de independência profissional e compromisso com o direito de defesa.
47. Sermões: a arte da retórica, de Padre Antônio Vieira
Os sermões de Padre Antônio Vieira são reconhecidos pela riqueza da linguagem e pela construção sofisticada dos argumentos. Sua leitura contribui para o desenvolvimento do repertório linguístico e da percepção sobre ritmo, repetição e imagens retóricas.
No Júri, entretanto, a inspiração literária deve ser adaptada à comunicação contemporânea. O objetivo não é reproduzir uma linguagem antiga, mas compreender como ideias complexas podem ser organizadas de modo persuasivo.
48. Tática e Técnica da Defesa Criminal, de Serrano Neves
A obra permite distinguir técnica e estratégia. A técnica envolve o conhecimento das regras, dos instrumentos processuais e das teses jurídicas; a tática determina quando e como esses recursos serão utilizados.
Essa distinção é fundamental no Tribunal do Júri. Uma tese juridicamente correta pode fracassar se for apresentada no momento inadequado ou de forma incompatível com as provas.
49. Tratado da Prova em Matéria Criminal, de Carl Joseph Anton Mittermaier
O tratado integra a tradição clássica dos estudos sobre prova criminal. A obra examina os critérios empregados na avaliação de testemunhos, indícios e outros elementos relevantes à formação da convicção.
Seu valor atual está na reflexão sobre os fundamentos do convencimento. Mesmo com o desenvolvimento da prova científica, permanece necessário verificar a confiabilidade, a origem e a coerência de cada elemento apresentado.
50. Tratado da Argumentação: a nova retórica, de Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca
A obra apresenta uma teoria da argumentação voltada à obtenção da adesão de determinado auditório. Diferentemente de uma demonstração matemática, o argumento jurídico precisa considerar valores, premissas e conhecimentos compartilhados pelo público.
Essa reflexão possui aplicação direta no Tribunal do Júri. O advogado precisa traduzir conceitos técnicos para a linguagem dos jurados sem perder precisão, construindo uma exposição que seja simultaneamente jurídica, racional e compreensível.
Uma biblioteca multidisciplinar para o Tribunal do Júri
A seleção elaborada por Roberto Parentoni demonstra que a formação do advogado do Júri deve abranger diferentes áreas do conhecimento. Direito Penal e Processo Penal são indispensáveis, mas não bastam para compreender as provas, comunicar uma tese e enfrentar os fatores humanos presentes no julgamento.
Os livros sobre retórica e literatura ajudam a organizar a linguagem; as obras de filosofia desenvolvem o raciocínio crítico; os estudos de psicologia alertam para as limitações da memória e da percepção; e os relatos forenses permitem conhecer experiências acumuladas por profissionais de outras gerações.
A relação foi originalmente organizada em 2016. Por isso, algumas obras podem estar esgotadas, disponíveis apenas em sebos ou superadas quanto a determinados aspectos legislativos. A leitura deve ser complementada por doutrina contemporânea, legislação atualizada e jurisprudência recente do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
(Com informações do Canal Ciências Criminais)
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2. A Beca Surrada, de Alfredo Tranjan
3. A Defesa em Ação, de Laércio Pellegrino
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9. A Mentira e o Delinquente, de Sousa Neto
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11. Advocacia Criminal, de Manoel Pedro Pimentel
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31. O Advogado e a Defesa Oral, de Vitorino Prata Castelo Branco
32. O Advogado e a Moral, de Maurice Garçon
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