CNJ mantém aposentadoria compulsória de juiz que não declarou suspeição em processo

Data:

perícia
Créditos: Pattanaphong Khuankaew | iStock

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por maioria, manter a punição aplicada ao juiz Antônio Eugênio Leite Ferreira Neto, que havia sido aposentado compulsoriamente pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). A decisão foi tomada durante a 1ª Sessão Extraordinária realizada na terça-feira (3).

O magistrado apresentou pedido de revisão disciplinar com o objetivo de reverter a penalidade, mas o colegiado entendeu que ele não se declarou suspeito ao julgar processos de um advogado com quem mantinha relacionamento, o que comprometeria a imparcialidade exigida da função judicial.

Divergência no julgamento

O relator da Revisão Disciplinar nº 0001054-54.2025.2.00.0000, conselheiro Ulisses Rabaneda, havia votado pela procedência parcial do pedido do magistrado. Em seu entendimento, a punição poderia ser reduzida para remoção compulsória.

Segundo ele, não ficou comprovado que o juiz teria concentrado investigações criminais em sua unidade para favorecer o advogado. Mesmo assim, Rabaneda avaliou que o magistrado deveria ter se declarado suspeito, justamente por conhecer o profissional envolvido no processo.

Corregedoria defendeu manutenção da punição

O entendimento que prevaleceu foi o do corregedor nacional de Justiça, ministro Campbell Marques, que apresentou voto divergente para manter a aposentadoria compulsória.

De acordo com o ministro, a independência e a imparcialidade do juiz não são privilégios pessoais, mas garantias essenciais para o jurisdicionado. Para ele, o magistrado deveria ter se afastado do caso para preservar a neutralidade da função.

Campbell Marques destacou ainda que os processos analisados envolviam clientes do advogado relacionados a organização criminosa, tráfico de drogas e homicídio, o que reforçaria a necessidade de cautela na condução do julgamento.

Defesa alegou homofobia

Durante o processo disciplinar, a defesa do magistrado afirmou que ele teria sido alvo de homofobia na análise do caso. No entanto, o corregedor afirmou não ter identificado qualquer conduta discriminatória por parte do tribunal.

Segundo ele, a proximidade entre o juiz e o advogado representou violação ao Código de Ética da Magistratura e comprometeu a imagem da magistratura.

Votação no plenário

A divergência apresentada pelo corregedor foi acompanhada pelas conselheiras Daiane Nogueira de Lira e Jaceguara Dantas da Silva, além dos conselheiros Guilherme Feliciano, Silvio Amorim e João Paulo Schoucair. O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, também votou nesse sentido.

Ficaram vencidos os conselheiros Rodrigo Badaró e Alexandre Teixeira, que propuseram pena de disponibilidade por 30 dias, e o conselheiro Fábio Esteves, que sugeriu disponibilidade por 90 dias.

(Com informações do CNJ por Margareth Lourenço)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo