DPU exige alterações na IA do INSS para evitar indeferimentos automáticos

Data:

aposentadoria por invalidez
Créditos: rafapress / Depositphotos

A Defensoria Pública da União (DPU) está demandando mudanças no uso da inteligência artificial pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em um ofício, a DPU solicita medidas urgentes para corrigir a limitação na submissão de novos requerimentos administrativos após indeferimentos automáticos, popularmente conhecidos como “robôs do INSS”. Quando um pedido é negado automaticamente, o requerente precisa esperar cerca de 30 dias para submeter um novo pedido à autarquia.

No documento dirigido ao INSS, a DPU argumenta que a implementação dos “robôs do INSS” resultou em um grande número de indeferimentos automáticos equivocados nos pedidos de benefícios. Isso, segundo a DPU, está aumentando consideravelmente a probabilidade de litígios judiciais relacionados aos pedidos.

O que é Jurimetria?
Créditos: billiondigital / Depositphotos

“O indeferimento repetido, de maneira errônea, pela inteligência artificial é uma preocupação e uma fonte de judicialização, especialmente porque o INSS não permite a reabertura do pedido para correção. Nesse cenário, um novo requerimento só pode ser submetido após 30 dias do indeferimento automático”, explica a DPU. Foi estabelecido um prazo de 15 dias para que o INSS forneça informações sobre as medidas tomadas para remover a restrição de novos requerimentos nos casos de indeferimento automático por inteligência artificial.

Atualmente, o robô do INSS é responsável por decidir pelo menos um terço dos pedidos de aposentadoria, pensão e auxílios solicitados ao órgão. Nos meses de fevereiro, abril e maio deste ano, ele foi responsável por quatro das dez aprovações de um dos benefícios mais importantes para os trabalhadores brasileiros.

Histórico de Conflito

Em agosto do ano passado, durante uma reunião do Comitê Executivo do Pacto da Desjudicialização da Previdência Social, o INSS já havia atendido ao pedido da DPU para eliminar o bloqueio para novos requerimentos. Entretanto, um ano depois, a DPU se surpreendeu com a retomada do bloqueio e enviou um ofício ao INSS solicitando o cumprimento do acordo anterior.

Instituto Nacional de Seguro Social - INSS
Créditos: Piter2121
/ Depositphotos

Essa questão tem causado preocupação à Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da DPU devido aos impactos negativos que essa restrição de 30 dias tem causado, especialmente para grupos mais vulneráveis, como indígenas, povos tradicionais e pessoas com dificuldades de acesso digital.

“Devido ao seu foco em grupos vulneráveis, especialmente indígenas, povos tradicionais e pessoas excluídas digitalmente, a Defensoria Pública da União destaca uma preocupação particular com a ‘trava’ para novos requerimentos nos casos de Benefício de Prestação Continuada (BPC) para idosos e salário-maternidade, onde um simples erro no preenchimento resulta no indeferimento automático do benefício”, destaca o ofício.

O ofício é assinado pelas defensoras públicas federais Carolina Botelho, Patrícia Bettin, Luaní Melo, bem como pelos defensores públicos federais Eraldo Silva Júnior e Gilmar Menezes da Silva.

Com informações de Convergência Digital.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Pesquisador usa inteligência artificial para criar malware e tentar extorquir empresas

Relatório da CrowdStrike identificou o malware PhantomRaven, supostamente desenvolvido com auxílio de inteligência artificial e distribuído por meio de pacotes maliciosos no npm. O código teria sido utilizado para obter credenciais de desenvolvedores e, posteriormente, pressionar empresas com alegações de vulnerabilidades em seus sistemas. Em resposta à ameaça, o npm adotou medidas para restringir a execução automática de comandos durante instalações.

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo