Mantida decisão que autorizou gravação de conversas entre advogados e detentos em presídio de segurança máxima no CE

Data:

Facebook é notificado pelo Ministério da Justiça após transcrição de áudios
Créditos: grinvalds | iStock

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, indeferiu pedido de liminar que pretendia a retirada dos equipamentos de gravação ambiental instalados nos parlatórios da Penitenciária Estadual de Segurança Máxima, situada na região metropolitana de Fortaleza. A medida havia sido previamente autorizada pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) pelo prazo de 180 dias.

O habeas corpus coletivo foi impetrado pela seccional cearense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), após o TJCE acolher requerimento formulado pelo Ministério Público do Estado do Ceará, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). De acordo com o Ministério Público, a unidade prisional abriga detentos apontados como líderes de facções criminosas, e a gravação das conversas teria como finalidade impedir a transmissão de ordens a integrantes desses grupos que permanecem em liberdade.

Ao analisar o pedido, o tribunal estadual considerou que o atual cenário da segurança pública no Ceará exige atuação firme, imediata e coordenada dos órgãos competentes. Nesse contexto, concluiu estarem presentes os requisitos da necessidade, adequação e proporcionalidade da medida de gravação ambiental autorizada.

Análise no STJ

No habeas corpus dirigido ao STJ, a OAB-CE sustentou que a autorização judicial viola o sigilo das comunicações entre advogados e clientes, assegurado pelo Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/1994), pela Lei de Execução Penal e pela Constituição Federal. A entidade também alegou que a Lei Estadual nº 18.428/2023 veda expressamente o monitoramento de áudio e vídeo durante atendimentos advocatícios, bem como a utilização dessas gravações como prova de crimes pretéritos.

Além disso, a OAB-CE defendeu a incompetência absoluta da Justiça estadual para apreciar a matéria, sob o argumento de que, por envolver a Ordem dos Advogados do Brasil — autarquia federal —, a competência seria da Justiça Federal, nos termos do artigo 109, inciso I, da Constituição Federal.

Ao indeferir a liminar, o ministro Herman Benjamin afirmou não haver ilegalidade manifesta nem situação de urgência apta a justificar a concessão da medida excepcional. Segundo o presidente do STJ, em juízo preliminar, o acórdão proferido pelo TJCE não apresenta caráter teratológico, sendo possível a análise mais aprofundada das questões suscitadas no julgamento de mérito do habeas corpus.

O exame definitivo do pedido caberá à Sexta Turma do STJ.

HC nº 1.066.369

Leia o acórdão no HC 1.066.369.

(Com informações do STJ

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Cancelamento de hospedagem: plataforma digital não terá de indenizar

O TJSP afastou a responsabilidade de uma plataforma digital por cancelamento de hospedagem na véspera da viagem. O anfitrião deverá pagar R$ 6 mil por danos materiais e R$ 10 mil por danos morais a seis viajantes.

STJ fixa critérios para indenizações por desapropriação e modula efeitos da decisão

O STJ estabeleceu critérios para calcular indenizações por desapropriação, fixando limites de um ano para avaliações em casos de utilidade pública ou interesse social e de 90 dias para reforma agrária, contados do ajuizamento da ação. A decisão também disciplina a desapropriação indireta e determina que a valorização decorrente da própria atuação estatal seja descontada do valor indenizatório.

Justiça Federal afasta cobrança de Imposto de Renda sobre valorização de bens herdados

A Justiça Federal do RS afastou a cobrança de Imposto de Renda sobre a valorização de bens transmitidos por herança, considerando que a sucessão não representa, para o espólio, acréscimo patrimonial que justifique a tributação. A decisão também apontou possível bitributação diante da incidência do ITCMD sobre o valor de mercado dos bens.

Cármen Lúcia cassa decisão do TST sobre dívidas trabalhistas da Oi

A ministra Cármen Lúcia, do STF, cassou decisão do TST que mantinha a responsabilidade solidária da V.tal por dívidas trabalhistas da Oi. O tribunal deverá realizar novo julgamento considerando o entendimento do Supremo sobre a alienação de unidades produtivas isoladas em recuperações judiciais.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo