TJDFT mantém condenação de servidor público por perseguição e violação de sigilo funcional

Data:

Servidor Público Temporário Receberá Adicional de Insalubridade
Créditos: Emilija Randjelovic / iStock

A 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) confirmou, por unanimidade, a condenação de servidor público pelos crimes de perseguição e violação de sigilo funcional praticados contra dois vizinhos. A reprimenda de dois anos de reclusão, fixada em regime inicial aberto, foi substituída por penas restritivas de direitos.

Os autos revelam que, a partir de agosto de 2021, o réu passou a adotar condutas reiteradas com o propósito de intimidar e constranger um pai e sua filha, moradores do mesmo condomínio. Consta dos autos a prática de sabotagem do quadro elétrico do apartamento das vítimas, acionamento indevido da Polícia Militar, arremesso de ovos e detritos contra veículos, gravações não autorizadas, envio de mensagens ofensivas via WhatsApp e constrangimentos em assembleias condominiais. Em um dos episódios, o acusado desligou deliberadamente o disjuntor da unidade, ocasionando danos a aparelhos eletrônicos.

Além das condutas persecutórias, restou comprovado que o servidor utilizou-se indevidamente de sua função pública para acessar dados pessoais de uma das vítimas, em agosto de 2021. As informações sigilosas foram inseridas em dossiê fraudulento elaborado pelo réu, no qual imputou falsamente à vítima a prática de crimes e insinuou que ela estaria “fazendo o trabalho sujo” ao supostamente subtrair valores do condomínio.

A defesa interpôs recurso alegando ausência de provas e sustentando que os fatos configurariam apenas desavenças de vizinhança. O colegiado, no entanto, afastou integralmente as teses defensivas. Segundo o relator, “o conjunto probatório evidencia que o réu perseguiu reiteradamente as vítimas, violando sua esfera de liberdade e comprometendo sua integridade psicológica”. O acórdão registra ainda que as vítimas necessitaram de acompanhamento psiquiátrico e desenvolveram quadros de ansiedade e síndrome do pânico em virtude das condutas do réu.

A materialidade e a autoria foram corroboradas por depoimentos harmônicos das vítimas, imagens de câmeras de segurança que registraram o acusado na sala dos disjuntores, mensagens e áudios de teor ofensivo, bem como documentos oficiais que confirmam o acesso indevido a dados restritos. Uma ex-síndica ainda relatou ter sofrido perseguições semelhantes, motivo pelo qual renunciou ao cargo e mudou-se do edifício.

Diante desse conjunto probatório, o colegiado manteve integralmente a sentença condenatória.

Processo: 0727253-78.2022.8.07.0001

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo