TST mantém validade de acordo assinado por advogado após morte de trabalhador

Data:

Acordo para desjudicializar Previdência Social é assinado
Créditos: ilkercelik | iStock

A Subseção II Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu manter a validade de um acordo firmado entre o advogado de um trabalhador e a empresa TAM Linhas Aéreas S/A. O empregado havia falecido antes da audiência de homologação, mas o colegiado concluiu que não houve má-fé do advogado, que não tinha conhecimento da morte do cliente.

A viúva do trabalhador entrou com ação rescisória pedindo a anulação do acordo. Ela argumentou que o mandato do advogado teria sido automaticamente encerrado com o falecimento do marido e que não participou nem concordou com a negociação firmada.

Falecimento ocorreu antes da audiência

O trabalhador havia ajuizado a ação em julho de 2020 para cobrar o cumprimento de uma sentença judicial proferida em 2018. Cerca de um mês depois, ele faleceu.

A audiência de homologação do acordo ocorreu em outubro de 2020, por videoconferência, devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19. Na ocasião, o advogado do empregado firmou o acordo com a empresa, que previa o pagamento de aproximadamente R$ 150 mil.

Na ação rescisória, a viúva sustentou que, por ser dependente direta do trabalhador, o acordo não poderia ter sido celebrado sem sua participação.

Comunicação da morte ocorreu meses depois

Em sua defesa, a TAM argumentou que a ausência do trabalhador na audiência não invalida o acordo e destacou que a morte só foi comunicada formalmente no processo em junho de 2021 — quase um ano depois da homologação e após o pagamento integral das parcelas previstas no acordo.

O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP) rejeitou o pedido de anulação ao entender que não havia prova de que o advogado soubesse do falecimento do cliente antes da audiência. Também não foram apontados indícios de má-fé ou problemas no repasse dos valores do acordo.

Lei prevê validade de atos do advogado

Relatora do caso no TST, a ministra Morgana Richa explicou que o artigo 689 do Código Civil estabelece que os atos praticados pelo advogado continuam válidos enquanto ele não tiver conhecimento da morte do cliente.

Segundo a ministra, não houve qualquer elemento que demonstrasse que o advogado tinha ciência do falecimento do trabalhador ou que tenha agido de forma irregular.

Com esse entendimento, a SDI-2 manteve a decisão anterior e confirmou a validade do acordo firmado entre as partes. A decisão foi unânime.

Processo: ROT-0006383-83.2022.5.15.0000

(Com  informações do TST por Ricardo Reis)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

PF apura pagamento a blogueiro para monitorar ministro Flávio Dino e família

A Polícia Federal apura a suspeita de que um blogueiro do Maranhão tenha recebido recursos para monitorar e divulgar informações sobre o ministro Flávio Dino e sua família. Segundo informações divulgadas pela imprensa, uma nova fase de buscas e apreensões foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes após a PF apresentar ao STF elementos sobre uma possível operação de monitoramento e disseminação de informações contra o magistrado.

TRF-2 suspende bloqueio de R$ 54 bilhões em bens de acionistas da Americanas

O TRF-2 suspendeu o bloqueio de aproximadamente R$ 54 bilhões em bens de Carlos Alberto Sicupira, Paulo Lemann e Eduardo Saggioro, investigados no contexto da Operação Disclosure. A medida havia sido determinada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, que apontou indícios de possível conhecimento dos acionistas sobre irregularidades na Americanas. O MPF, porém, se manifestou contra o bloqueio, alegando falta de elementos concretos para vincular individualmente os investigados aos fatos.

PF retira passageiros de aeronave após declaração sobre suposta bomba

Um passageiro foi retirado de um avião no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu após brincar que havia uma bomba dentro de uma caixa de som. A fala foi comunicada ao comandante, que acionou a Polícia Federal. O homem e outros três passageiros que o acompanhavam foram retirados da aeronave para prestar esclarecimentos.

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo