Estado responsabilizado por choque em criança na EXPOINTER

Data:

Estado responsabilizado por choque em criança na EXPOINTER
Créditos: Sebastian Duda / Shutterstock.com

O Estado do RS deverá indenizar um menino de 10 anos e seus pais por choque sofrido pela criança ao tocar em um poste energizado na EXPOINTER. A condenação, da Comarca de Esteio, foi confirmada de forma unânime pela 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça.

Caso

Os autores da ação afirmaram que o menino levou um choque elétrico ao tocar em uma estrutura energizada, composta por dois postes, instalados em frente a um estande. O pai contou que pediu socorro a uma ambulância do Parque, sendo negado o atendimento pelos paramédicos. O menino acabou sendo socorrido por uma ambulância da Unimed, que realizou o atendimento pré-hospitalar. Ele ficou internado na UTI pediátrica do Hospital Regina, de Novo Hamburgo, por um dia. Profissionais do hospital relataram que o menino chegou desmaiado em com arritmia cardíaca.

O Estado alegou que prestou tratamento imediato e adequado ao autor e que havia aterramento elétrico no poste, mas que não foi suficiente. Também alegou culpa concorrente da vítima, que teria balançado o poste, vindo a sofrer a descarga.

No Juízo do 1º Grau, o Estado foi condenado a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 6 mil para a criança e R$ 2 mil para cada um dos pais, além de danos materiais no valor de R$ 137,00. Houve recurso da sentença.

Decisão

No TJRS, o relator do apelo foi o Desembargador Marcelo Cezar Müller, que manteve a condenação.

Segundo o magistrado, a vítima sofreu as consequências de um forte choque. Tanto é assim que foi atendido e depois tratado na UTI. Por sorte, os efeitos foram passageiros, destacou o Desembargador.

No voto o relator também ressalta que não há prova de que a criança tenha causado algum defeito no poste e em seguida tenha recebido o choque.

Normalmente o poste não deve passar energia elétrica, uma vez que as pessoas podem tocar no equipamento. Esse detalhe indica a culpa do Estado, pela falha na manutenção do poste e rede elétrica, destacou o relator.

Também participaram do julgamento os Desembargadores Jorge Alberto Schreiner Pestana e Túlio Martins.

Processo nº 70072061625 – Acórdão

Texto: Rafaela Souza
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend

Ementa:

RESPONSABILIDADE CIVIL. ESTADO. PARQUE DE EXPOSIÇÕES. CHOQUE ELÉTRICO. DANO MORAL. A responsabilidade do ente público está disposta na regra do art. 37, § 6º, da CF. Se existe omissão a responsabilidade é subjetiva, com necessidade de exame sobre a culpa (STF, RE 369.820, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 4-11-2003, Segunda Turma, DJ de 27-2-2004.)A violação do direito da personalidade motiva a reparação do dano moral.O dano moral deve ser estabelecido com razoabilidade, de modo a servir de lenitivo ao sofrimento da vítima.No caso, a criança recebeu choque elétrico de um poste energizado. Falha de manutenção reconhecida. Mantida a obrigação de indenizar, levando em conta as conseqüências sofridas pela vítima e seus pais. Valores da indenização arbitrados de modo adequado.A atualização da dívida deve seguir a lei especial pertinente (Lei nº 11.960/09) e a solução conferida pelo STF na ADI 4357.Apelos não providos. (TJRS – Apelação Cível. Décima Câmara Cível – Nº 70072061625 (Nº CNJ: 0416356-39.2016.8.21.7000). Comarca de Esteio. APELANTE/APELADO: CLEBER RANGEL BASTOS E OUTROS. APELANTE/APELADO: ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Cancelamento de hospedagem: plataforma digital não terá de indenizar

O TJSP afastou a responsabilidade de uma plataforma digital por cancelamento de hospedagem na véspera da viagem. O anfitrião deverá pagar R$ 6 mil por danos materiais e R$ 10 mil por danos morais a seis viajantes.

STJ fixa critérios para indenizações por desapropriação e modula efeitos da decisão

O STJ estabeleceu critérios para calcular indenizações por desapropriação, fixando limites de um ano para avaliações em casos de utilidade pública ou interesse social e de 90 dias para reforma agrária, contados do ajuizamento da ação. A decisão também disciplina a desapropriação indireta e determina que a valorização decorrente da própria atuação estatal seja descontada do valor indenizatório.

Justiça Federal afasta cobrança de Imposto de Renda sobre valorização de bens herdados

A Justiça Federal do RS afastou a cobrança de Imposto de Renda sobre a valorização de bens transmitidos por herança, considerando que a sucessão não representa, para o espólio, acréscimo patrimonial que justifique a tributação. A decisão também apontou possível bitributação diante da incidência do ITCMD sobre o valor de mercado dos bens.

Cármen Lúcia cassa decisão do TST sobre dívidas trabalhistas da Oi

A ministra Cármen Lúcia, do STF, cassou decisão do TST que mantinha a responsabilidade solidária da V.tal por dívidas trabalhistas da Oi. O tribunal deverá realizar novo julgamento considerando o entendimento do Supremo sobre a alienação de unidades produtivas isoladas em recuperações judiciais.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo