Lei dos Influenciadores gera críticas no Congresso por risco de precarização e falta de debate

Data:

Cybersecurity
Créditos: Tero Vesalainen / iStock

A recente lei que reconhece a profissão de multimídia — conhecida como Lei dos Influenciadores Digitais — foi alvo de críticas durante debate realizado pelo Conselho de Comunicação Social nesta segunda-feira (4). Especialistas e representantes do setor apontaram que a norma foi aprovada sem discussão aprofundada e pode trazer impactos negativos para profissionais da comunicação.

Sancionada em janeiro de 2026, a Lei nº 15.325 teve origem no Projeto de Lei 4.816/2013, de autoria da deputada Simone Marquetto, e foi aprovada pelo Senado em novembro de 2025. O texto define o profissional de multimídia como um trabalhador multifuncional, apto a atuar em diversas etapas da produção de conteúdo digital, incluindo criação, edição, gestão e distribuição em múltiplas plataformas.

Durante o debate, conselheiros do CCS e representantes de categorias como jornalistas e radialistas manifestaram preocupação com a sobreposição de funções e a ausência de critérios claros de formação para novas atividades, como a de influenciador digital. Para críticos, a norma pode contribuir para a precarização do trabalho e a desvalorização de profissões já regulamentadas.

O conselheiro Paulo Zocchi afirmou que a legislação mistura publicidade com opinião e pode comprometer a qualidade da informação, além de atender a interesses econômicos. Ele defendeu a revogação da lei, argumentando que o texto foi aprovado sem diálogo com entidades representativas do setor.

Por outro lado, o conselheiro Ricardo Ortiz ponderou que uma eventual revogação é complexa, sugerindo que o caminho mais viável seria a readequação da norma. Segundo ele, a tramitação acelerada do projeto evidenciou a falta de debate e pode gerar conflitos entre diferentes categorias profissionais.

Outros participantes, como Fernando Cabral e Carlos Magno, também criticaram a legislação, apontando riscos de sobrecarga para o jornalismo e insegurança na regulamentação da nova profissão.

Representantes do setor produtivo destacaram ainda que o avanço de tecnologias, como a inteligência artificial, somado à indefinição do papel do profissional multimídia, pode intensificar a precarização das atividades criativas e técnicas. Para Bia Ambrogi, o tema exige maior aprofundamento e um marco regulatório mais claro.

Do lado do governo, a subsecretária do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner, afirmou que a pasta busca compreender e regulamentar a multifuncionalidade prevista na lei. Ela ressaltou a ausência de estudos prévios sobre os impactos da norma e a necessidade de diálogo com as entidades para evitar distorções.

Já o representante do Ministério da Cultura, Angelo Raniere, defendeu que a regulamentação seja feita por decreto, com participação social, para esclarecer lacunas e delimitar as atribuições de cada atividade.

Apesar das críticas, houve consenso de que o reconhecimento da profissão é relevante, mas que a legislação ainda precisa de ajustes para garantir segurança jurídica e equilíbrio entre as diferentes áreas da comunicação.

(Com informações da Agência Senado)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça da Paraíba determina bloqueio nacional de plataformas de apostas da Pixbet

A Justiça da Paraíba determinou a suspensão e o bloqueio, em todo o território nacional, das plataformas de apostas operadas pela Pixbet Soluções Tecnológicas Ltda., incluindo Pixbet, GanheiBet, antiga Flabet e Bet da Sorte. Segundo a decisão, a empresa teria descumprido ordem judicial anterior que condicionava a retomada das atividades à comprovação de mecanismos eficazes para impedir apostas realizadas por crianças e adolescentes.

Idioma influencia consumo de tokens e experiência com inteligência artificial

Os tokens, utilizados por sistemas de inteligência artificial para processar informações, passaram a ter relevância além do funcionamento técnico dos modelos. A quantidade de tokens pode influenciar custos, limites de uso, capacidade de processamento e produtividade. O avanço da tecnologia também levou a discussões sobre a utilização dessa métrica para avaliar atividades econômicas e até criar mecanismos de tributação relacionados à IA, embora especialistas questionem se o volume de tokens é capaz de representar adequadamente impactos como substituição de trabalho humano.

TSE deve definir limites para uso de deepfakes nas eleições e critérios para punições

O TSE analisa critérios para definir o que caracteriza deepfake eleitoral e quais punições poderão ser aplicadas pelo uso irregular de conteúdos produzidos por inteligência artificial. O debate envolve especialmente vídeos e áudios com elevado grau de realismo e potencial para confundir o eleitor, além da diferenciação entre deepfakes e manifestações claramente fictícias, como memes, caricaturas e conteúdos satíricos.

Golpes em aplicativos de relacionamento usam engenharia social para obter dados biométricos de vítimas

Golpistas estão recorrendo a perfis falsos em aplicativos de relacionamento para estabelecer contato com vítimas e tentar obter imagens, vídeos e outros dados que podem ser utilizados em fraudes envolvendo identidade e biometria. A prática também levanta questões relacionadas à proteção de dados pessoais e à segurança digital.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo