Justiça Militar converte em preventiva prisão de soldado que confessou matar cabo; militar também responderá por incêndio, furto de arma e fraude processual

Data:

Justiça Militar converte em preventiva prisão de soldado que confessou matar cabo; militar também responderá por incêndio, furto de arma e fraude processual | JuristasA Justiça Militar da União (JMU) converteu, no sábado (6/12), em prisão preventiva a detenção do soldado Kelvin Barros da Silva, que confessou ter assassinado a cabo Maria de Lourdes Freire Matos dentro do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, no Distrito Federal.

Além de feminicídio, o militar também responderá pelos crimes de incêndio, furto de arma de fogo e fraude processual, podendo somar uma pena de até 44 anos de prisão.

Risco à ordem pública e à hierarquia

O Ministério Público Militar (MPM) pediu a conversão da prisão em preventiva, sustentando que a gravidade dos fatos e a forma como o crime foi praticado revelam risco à ordem pública, à disciplina e à hierarquia militar.

A defesa do soldado alegou legítima defesa e solicitou liberdade provisória, mas teve o pedido negado.

O juiz Frederico Veras concluiu que há fortes indícios de materialidade e autoria, reforçados pela confissão do próprio soldado e pelo conjunto de provas já reunidas. Ele afirmou que a soltura do militar representaria ameaça à investigação e ofensa direta à hierarquia das Forças Armadas, citando precedentes do Superior Tribunal Militar (STM) que autorizam a prisão preventiva em casos de extrema gravidade.

Como ocorreu o crime

O assassinato ocorreu na tarde de sexta-feira (5/12), no estúdio da fanfarra do regimento. Em depoimento, o soldado Silva afirmou ter matado a cabo Maria de Lourdes após uma discussão. Segundo ele, a militar o estaria pressionando para que terminasse o relacionamento com sua namorada.

Silva declarou que a cabo teria sacado sua arma, mas ele conseguiu desviar. Em seguida, teria tomado uma faca que estaria presa à cintura dela e desferido o golpe fatal.

Após o crime, o soldado ateou fogo no local — incêndio que carbonizou o corpo da vítima — e admitiu ter feito isso para dificultar a perícia. Também confessou ter furtado a arma da cabo para impedir a coleta de suas impressões digitais.

O Corpo de Bombeiros controlou o incêndio e encontrou o corpo carbonizado. Silva foi preso em sua residência, no Paranoá.

Depoimento é contestado

A narrativa apresentada pelo soldado é contestada por familiares da cabo Matos e por militares que participaram da prisão. Colegas afirmam que não havia qualquer relação entre os dois e confirmam que Silva mantinha relacionamento com uma namorada que mora no mesmo bairro.

A JMU determinou ainda a inclusão do mandado de prisão no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP) e comunicou o Tribunal do Júri do Distrito Federal, reiterando a competência da Justiça Militar para conduzir a investigação e processar o caso.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Canal Juristas no WhatsApp cresce e já reúne milhares de seguidores; conheça as vantagens de acompanhar as notícias jurídicas

O Canal Juristas no WhatsApp vem se consolidando como uma importante ferramenta de comunicação e divulgação de informações jurídicas no Brasil. Com milhares de seguidores, o canal amplia a presença digital do Portal Juristas e aproxima os leitores das notícias e dos debates que movimentam o universo do Direito.

EUA desarticulam esquema de casamentos falsos para obtenção de green cards com participação de brasileiros

Autoridades dos Estados Unidos acusaram seis cidadãos americanos de envolvimento em um esquema de casamentos falsos em Massachusetts para facilitar a obtenção de green cards. A rede cobraria até US$ 40 mil por união fictícia e teria envolvido diversos brasileiros, além de utilizar contratos, fotografias e pessoas para simular relacionamentos legítimos.

Câmeras em banheiros de escolas são proibidas no Paraná

O Paraná proibiu câmeras em banheiros e vestiários das escolas estaduais após uma estudante encontrar um dispositivo em um colégio de Cambé. A Polícia Civil e o Ministério Público investigam o caso, e a Secretaria de Educação instaurou apuração administrativa.

Golpe com audiência judicial falsa criada por IA causa prejuízo de R$ 324 mil a empresário

Um empresário de 72 anos perdeu cerca de R$ 324 mil após participar de uma falsa audiência judicial criada com inteligência artificial. Enganado por criminosos que simularam autoridades e advogados, ele realizou três transferências bancárias e decidiu processar o banco que autorizou as operações.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo