Pedido de Lula para suspender julgamento do caso do sítio de Atibaia é negado

Data:

sítio de atibaia
Créditos: Michał Chodyra | iStock

Os dois pedidos de liminar em habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relativos ao sítio de Atibaia (SP) foram negados pelo ministro Jorge Mussi, da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

​​A defesa pediu, em liminar dos dois HC, o sobrestamento do trâmite da apelação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), e, no mérito, o reconhecimento da suspeição dos desembargadores federais Thompson Flores e João Pedro Gebran Neto para julgar a ação penal que condenou Lula a 12 anos e 11 meses por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia.

Defesa: suspeição dos desembargadores

Thompson Flores é ex-presidente do TRF4 e, atualmente, preside a 8ª Turma do tribunal, sendo o revisor do processo sobre o sítio. Para a defesa de Lula, o magistrado revelou sua parcialidade quando se manifestou, ainda na presidência da corte, sobre a sentença proferida na ação penal do tríplex do Guarujá, descrevendo-a como “irretocável” e “irrepreensível”.

Os advogados também alegaram que o “imensurável esforço” do desembargador para impedir o cumprimento do alvará de soltura concedido a Lula em julho de 2018. Ele teria aconselhado o juiz de primeiro grau a descumprir a decisão e determinado à Polícia Federal que não acatasse a ordem. Também disseram que Thompson Flores indeferiu o pedido de inquirição do delegado federal Rogério Galloro, testemunha indispensável no esclarecimento dos fatos relacionados à frustrada tentativa de libertar o ex-presidente.

Quanto João Pedro Gebran Neto, relator da apelação sobre o sítio de Atibaia, a defesa salientou a indiscutível relação de amizade íntima entre ele e Sergio Moro, que, enquanto juiz da Lava Jato em Curitiba, conduziu a instrução do processo criminal. Os advogados apontam o uso da sentença de Moro que condenou Lula no caso do tríplex para a elaboração da sentença condenatória no processo do sítio.

A defesa do ex-presidente afirmou que Gebran Neto também atuou para impedir o cumprimento do alvará de soltura, avocando os autos quando ainda se encontravam em regime de plantão. 

Em suma, disseram que houve intensa mobilização entre os desembargadores e Sergio Moro para impedir o restabelecimento da liberdade de Lula, demonstrando parcialidade dos dois membros do tribunal, o que deve se repetir na ação do sítio de Atibaia.

Decisão do ministro do STJ: Impossibilidade de análise ​​de provas

O ministro Mussi explicou que o relator de recursos da Lava Jato na Quinta Turma é o ministro Felix Fischer, afastado por motivos de saúde, e que o desembargador convocado ainda não assumiu as funções, motivo pelo qual os casos relativos à Lava Jato estão sob sua responsabilidade.

No indeferimento dos pedidos de liminar, o ministro destacou a ausência de flagrante ilegalidade nas decisões do TRF4 que rejeitaram a alegação de suspeição dos desembargadores. Ele ainda pontuou que a Quinta Turma do STJ analisará detalhadamente a questão quando do julgamento do mérito.

Mussi ainda salientou que não cabe habeas corpus contra acórdão que julgou improcedente exceção de suspeição, pois configuraria desrespeito ao sistema recursal vigente no processo penal.

O relator afirmou ser inviável a utilização do HC acerca de questões que exigem a análise de fatos e provas. “É pacífico neste Superior Tribunal de Justiça que, para afastar o entendimento das instâncias de origem e concluir que estaria configurada a suspeição do magistrado, é necessário o revolvimento de matéria fático-probatória, providência vedada na via estreita do habeas corpus, circunstância que afasta a plausibilidade jurídica da medida de urgência”.

Processos: HC 533725 e HC 533831

(Com informações do Superior Tribunal de Justiça)

Leia também:          

 

Adquira seu certificado digital E-CPF ou E-CNPJ com a Juristas Certificação Digital. Acesse a plataforma de assinatura de documentos com certificado digital de maneira fácil e segura.

Siga o Portal Juristas no Facebook, Instagram, Google News, Pinterest, Linkedin e Twitter.   

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo