Sindicato e Associações vão ao CNJ contra ato do TJPB que prevê venda de férias por magistrados

Data:

Sindicato dos Oficiais de Justiça da Paraíba, Astaj e Asstej ingressaram com Pedido de Providências perante o CNJ contra ato do TJ da Paraíba

TJPB - Tribunal de Justiça da Paraíba
Créditos: cifotart / iStock

A suspensão liminar da Resolução n. 10/2018 publicada dias atrás pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), que permite a conversão de férias de juízes em abono pecuniário foi alvo pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça da Paraíba e pelas Astaj e Asstej, de Pedido de Providências (PP), assinado pelo advogado Yuri Paulino de Miranda, junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para suspender os efeitos do ato até julgamento do mérito.

Um dos fundamentos invocados no PP é o fato de essa edição se dar coincidentemente no exato momento em que o Tribunal de Justiça da Paraíba recebeu do Executivo um repasse de mais de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), valor decorrente de decisão ocorrida no Mandado de Segurança 35648 em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Especula-se que a edição da nova Resolução viria possibilitar que o Tribunal destine à magistratura considerável parte deste valor, o que serviria para recompor o decréscimo financeiro decorrente da perda do auxílio-moradia”, destacam as entidades representativas dos servidores.

Afronta à princípios constitucionais

Outro fato que despertou a atenção é o pagamento ter sido aprovado num momento de final de gestão do atual presidente, com as restrições próprias da Lei de Responsabilidade Fiscal e o que é pior, desprovido de qualquer estudo técnico, impacto financeiro e repercussão em termos de produtividade.

Destes, o principal vício normativo do ato consiste na absoluta falta de critérios objetivos para aquisição dos períodos de férias. Outros aspectos negativos identificados foram a impossibilidade de fixação de parâmetros objetivos, diante de vagos conceitos, como “imperiosa necessidade do serviço” e “conveniência e oportunidade administrativas”, incompatíveis com o princípio constitucional da impessoalidade.

Falta de isonomia

“Se o TJ não observa sequer a produtividade dos magistrados, não coloca tal aspecto como critério a ser observado na aquisição de período de férias, não estabelece nenhuma garantia de que os recursos não serão utilizados para atender a uma situação criada pela própria falta de produtividade deste ou daquele magistrado”, num verdadeiro incentivo à falta de produtividade, alertam as entidades.

Por derradeiro, é também questionada a afronta a outro princípio – o da isonomia – pela discriminação na oferta de igual oportunidade aos servidores, que não raro, também têm suas férias suspensas pelo interesse da Administração, justamente em razão da carência de mão-de-obra, que por sua vez, decorre da alegada falta de recursos para promover novos concursos e consequentes nomeações ou até para comprar sequer “uma cadeira em 2019”, como afirmou em recente entrevista o desembargador-presidente eleito Márcio Murilo da Cunha Ramos.

Processo: 0011229-54.2018.2.00.0000 – Baixe Aqui a Petição inicial e o Comprovante de Protocolo.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Golpes em aplicativos de relacionamento usam engenharia social para obter dados biométricos de vítimas

Golpistas estão recorrendo a perfis falsos em aplicativos de relacionamento para estabelecer contato com vítimas e tentar obter imagens, vídeos e outros dados que podem ser utilizados em fraudes envolvendo identidade e biometria. A prática também levanta questões relacionadas à proteção de dados pessoais e à segurança digital.

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo