TJSP decide que pais não podem deixar de vacinar filhos por questões ideológicas

Data:

TJ-SP decide que pais não podem deixar de vacinar filhos por questões ideológicas
Créditos: vadimguzhva | iStock

O TJSP obrigou um casal a regularizar a vacinação do filho de 3 anos. Para o tribunal, ele não pode deixar de vacinar a criança por liberdade filosófica ou religiosa, já que esse direito não têm caráter absoluto quando atinge terceiros. Caso os pais não cumpram a decisão em 30 dias, o Conselho Tutelar deverá buscar e apreender a criança para garantir a imunização.

O MP-SP levou o caso ao Judiciário ao ser informado que a criança nunca tinha sido vacinada por opção dos pais, que disseram que optaram por um crescimento com “intervenções mínimas” e que o filho estava saudável e que não ia à escola, estando assim “longe de riscos de infecções”. O casal ainda disse que há substância cancerígena na conservação das vacinas.

A sentença de primeira instância foi favorável aos pais. O juiz reconheceu que há riscos graves e proporcionalmente superiores aos benefícios da vacinação. Ele disse que não há negligência no caso, já que a criança recebe acompanhamento médico. Por fim, reconheceu a existência de opção da família em assumir os riscos decorrentes da não vacinação.

A Câmara Especial do TJ-SP derrubou a sentença por acreditar que não há base científica na afirmação dos genitores e que a tutela da saúde da criança tem prioridade absoluta. O desembargador lembrou que o estudo que apontava os riscos da substância cancerígena na conservação das vacinas foi desmentido pela própria revista que o publicou.

Ele pontuou o aumento no número de epidemias de doenças já erradicadas devido à falta de vacinação, o que fez com que publicações especializadas recomendassem a imposição de vacinação mandatória como forma de garantir a saúde de cidadãos em geral. E ainda disse não haver evidências científicas que justifiquem a conduta dos pais que optam por mera convicção pessoal pela não vacinação do filho. 

O desembargador pontuou que a liberdade de exercer o poder familiar encontra limites absolutos no interesse objetivo da saúde, do bem estar e da integridade da criança: “Equivale dizer que escolhas feitas pelos genitores, em virtude de convicções particulares e individuais e que tenham efeitos sobre os filhos menores, não poderão representar a estes qualquer prejuízo em relação aos interesses maiores descritos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente”.

Para ele, a recusa à vacinação obrigatória não caracteriza exercício legítimo de um direito perante o Estado, mas ato ilícito, por ofensa a normas de tutela individual da saúde da criança e da incolumidade pública. E completa que não subsiste a alegação de conflito de direitos fundamentais, já que “prevalece, nestes casos, a tutela de ordem pública sobre a saúde, ensejando, em casos extremos, até a suspensão ou destituição do poder familiar, consubstanciado no descumprimento de obrigações decorrentes do poder familiar”.

Processo: 1003284-83.2017.8.26.0428

(Com informações do Consultor Jurídico)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TJ-PI apresenta novas ferramentas de Inteligência Artificial para modernizar serviços do Judiciário

O Tribunal de Justiça do Piauí apresentou novas ferramentas de Inteligência Artificial desenvolvidas pelo Opala Lab para auxiliar magistrados e servidores, otimizar processos e modernizar os serviços judiciais. As soluções incluem sistemas de transcrição de audiências, análise processual e organização de bases de conhecimento, com foco em segurança, autonomia tecnológica e eficiência.

TJ-SP analisará pedido para excluir filiação materna do registro civil

O TJ-SP deverá analisar recurso de uma mulher que busca excluir a filiação materna de sua certidão de nascimento após relatar ter sido vítima de graves abusos durante a infância. Embora a sentença de primeiro grau tenha reconhecido os traumas e autorizado a retirada dos sobrenomes maternos, o pedido de desconstituição da maternidade foi negado sob o fundamento de que a filiação biológica deve permanecer registrada.

TJ mantém condenação de Marcelo Crivella por uso não autorizado de imagem em campanha eleitoral

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a condenação do senador Marcelo Crivella ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais a um estudante que teve sua imagem e seu depoimento utilizados, sem autorização, em propaganda eleitoral. A Corte rejeitou novos recursos da defesa e preservou a sentença que também envolve o Partido Republicanos.

Licenciamento de novos data centers no Ceará reacende debate sobre impactos ambientais e consumo de energia

Dois novos projetos de data centers em Caucaia (CE) estão em fase de licenciamento ambiental e poderão consumir energia equivalente à utilizada por 4,5 milhões de residências, volume superior ao total de domicílios do estado. A dimensão dos empreendimentos intensificou o debate sobre os impactos ambientais, o consumo de água, o licenciamento simplificado e a necessidade de consulta às comunidades potencialmente afetadas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo