Agência reguladora não poderá atuar como assistente de distribuidoras de energia em ação civil pública, decide TJSP

Data:

Ausência de interesse jurídico impede participação no processo

A 22ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) confirmou decisão da 32ª Vara Cível Central que negou o pedido de uma agência reguladora para atuar como assistente de uma concessionária e uma empresa de energia elétrica em ação civil pública. A decisão foi proferida pelo juiz Fabio de Souza Pimenta.

A ação civil pública foi proposta pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública em razão de uma prolongada interrupção no fornecimento de energia elétrica ocorrida em novembro de 2023, que afetou 24 municípios e mais de 17,3 milhões de pessoas no Estado de São Paulo. As autoras pedem que as empresas garantam a qualidade, continuidade e eficiência na prestação do serviço público. A agência reguladora pleiteou atuar como assistente simples das rés, argumentando que possui competência legal para regular e fiscalizar os serviços prestados por elas.

No entanto, o relator do recurso, desembargador Roberto Mac Cracken, destacou que, segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), a assistência simples no processo civil só é permitida quando o resultado da ação impacta diretamente a esfera jurídica do requerente da assistência. Esse não é o caso, já que a relação jurídica em discussão é entre as concessionárias de energia e os usuários do serviço.

“Não há qualquer pedido na ação que vise à anulação ou alteração de normas regulamentadoras editadas pela agência agravante, evidenciando a ausência de interesse jurídico que justifique sua intervenção como assistente das rés no processo”, afirmou o magistrado.

O relator ressaltou ainda que, embora a agência tenha atribuição legal para fiscalizar o setor elétrico, isso não obriga sua participação em todas as ações judiciais contra empresas do ramo. “Sua atuação não é indispensável, tampouco pertinente neste caso, já que a demanda não questiona atos normativos de sua competência”, concluiu.

Os desembargadores Hélio Nogueira e Nuncio Theophilo Neto acompanharam o voto do relator, e a decisão foi unânime.

 Agravos de instrumento nº 2289180-72.2024.8.26.0000 e 2294451-62.2024.8.26.0000

(Com informações da Comunicação Social do TJSP – BC)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo