Crimes sexuais: adulto que se passava por adolescente de 12 anos no Instagram é condenado

Data:

Crime sexuais praticados via rede social Instagram leva réu a ser condenado na cidade de Florianópolis

Crimes Sexuais - Instagram - Rede Social - Direito Digital
Imagem Meramente Ilustrativa – Créditos: Rawf8 / iStock

Um homem de 39 anos, residente na cidade de Florianópolis, no estado de Santa Catarina, que se passava por um jovem de 12 (doze) anos na rede social Instagram, com o objetivo de enviar imagens pornográficas e praticar atos libidinosos com menores de idade, foi condenado pela Justiça estadual de Santa Catarina.

O juiz de direito Rafael Bruning, da 4ª Vara Criminal da comarca de Florianópolis condenou o acusado a pena de oito anos, um mês e 19 dias de reclusão em regime fechado, além 232 dias-multa.

Dos 5 (cinco) crimes que o réu foi acusado, o juiz de direito o considerou culpado de quatro, todos tipificados no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): disponibilizar e transmitir cenas de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente, este por duas vezes; possuir ou armazenar imagens deste tipo; e assediar criança com o fim de praticar com ela ato libidinoso.

De acordo com o que consta na sentença, os crimes foram praticados no mês de abril deste ano e foram descobertos pela genitora de uma das vítimas. O momento da descoberta foi quando a mãe pegou o smartphone do seu filho e manteve contato com o condenado.

O réu, portanto, enviou vídeos pornográficos, bem como mensagens de cunho sexual. No primeiro momento, o réu apagou o vídeo com pornografia, para não deixar rastros. Enquanto que na segunda oportunidade, precavida e para ter prova do crime sexual, a mãe gravou o vídeo pornográfico enviado pelo réu.

Ministério Público do Estado de Santa Catarina - MPSCComo ato contínuo, ela se dirigiu a polícia, o Ministério Público do Estado de Santa Catarina (MPSC) denunciou e tão somente 5 (cinco) meses depois sobreveio a condenação do réu. “As mensagens”, pontuou o juiz de direito Rafael Bruning, “relevam conteúdo altamente repugnante, ainda mais em se tratando de vítimas crianças (uma delas tinha 11 anos) que sequer têm o discernimento mental para se esquivar de situações como essa, ante a ingenuidade que nelas predomina”. 

Em juízo, o réu admitiu que parte das acusações contra si eram verdadeiras. “Não estou feliz em ter feito isso, mas não tenho tanta facilidade em controlar meus atos”, afirmou.  Destacou que não tinha imagens de exploração sexual infantil armazenadas no computador ou no smartphone. “Eu apenas repassei”, afirmou como defesa. Entretanto, como demonstra os autos, para enviar arquivos através da rede social Instragram, é necessário que a imagem esteja salva na galeria de fotos do usuário ora remetente.

Juiz de Direito Rafael Bruning
Créditos: Reprodução / Youtube do TJSC

A defesa do réu, portanto, pugnou pela aplicação do princípio da consunção, no qual o crime fim absorve o crime meio. O magistrado Rafael Bruning refutou o pleito. “As provas contidas nos autos não deixam dúvida de que as condutas de possuir, armazenar, transmitir e disponibilizar, perpetradas pelo autor, foram independentes e autônomas, praticadas em contextos distintos”.

Desta forma, destacou o juiz de direito, ser inviável aplicar a consunção neste caso, uma vez que o crime de armazenamento é permanente, ou seja, a potencialidade lesiva não se encerra na transmissão. O réu foi preso preventivamente no dia 11 de junho de 2019. Cabe recurso ao TJ de Santa Catarina.

(Com informações do Tribunal de Justiça de Santa Catarina – TJSC)

Crimes Sexuais via Rede Social Instagram
Imagem Meramente Ilustrativa – Créditos: bigtunaonline / iStock
Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo