Qual o futuro das lawtechs e legaltechs?

Lawtechs e Legaltechs
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A tecnologia não é algo novo no cotidiano dos advogados. No entanto, com a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), escritórios de advocacia e profissionais que resistiam à ela, precisaram se adaptar. Nesse cenário, as lawtechs e legaltechs despontaram no mercado e, ao que tudo indica, a demanda deve crescer para essas startups. 

Com a necessidade de migrar totalmente para o online, surgiram também novas demandas tanto do público em geral, quanto do advogado. E, como o trabalho das lawtechs e legaltechs é facilitar as rotinas da advocacia, oferecendo mais eficiência a quem precisa de serviços jurídicos, ninguém melhor do que elas para criar soluções e alternativas para a atuação do mercado jurídico diante do “novo normal”.

Apesar das dificuldades trazidas pela pandemia, o futuro das lawtechs e legaltechs parece promissor. Para saber quais são as perspectivas para essas empresas tanto no cenário atual quanto no pós pandemia, vale a pena conferir!

Lawtechs e legaltechs: como essas empresas inovam no mercado jurídico

Antes de tratarmos sobre o futuro das lawtechs e legaltechs, vale a pena entender o que fazem essas empresas, tendo em vista que o modelo de atuação de cada uma é bastante distinto. Enquanto as lawtechs se dedicam a criar soluções para o público em geral usando a tecnologia, as legaltechs criam ferramentas e recursos específicos para o dia a dia da advocacia. 

A diferença entre lawtechs e legaltechs, no dia a dia, acaba sendo irrelevante. Isso porque ambas promovem benefícios para o mercado jurídico como um todo. Porém, é importante entender a atuação dessas empresas, uma vez que o Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) prevê atividades privativas do advogado que não podem ser realizadas por essas startups.

Atualmente tanto as lawtechs quanto as legaltechs estão oferecendo uma série de vantagens para o mercado jurídico. A redução de custos para o advogado e o aumento da produtividade sem perder a qualidade na prestação de serviços, são apenas alguns dos exemplos de vantagens que essas startups promovem através da sua atuação. Com as ferramentas e recursos criados por essas empresas, os advogados conseguem aperfeiçoar a própria rotina, tornando seus serviços mais atraentes. Da mesma forma, o público em geral ganha com a acessibilidade, fazendo com que soluções jurídicas sejam simplificadas e tenham maior transparência quanto aos seus procedimentos. 

Lawtechs e legaltechs presentes no mercado

Como explicamos, as lawtechs e legaltechs tem uma atuação limitada. Isso porque, conforme dispõe o artigo 1º do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil, cabe somente ao advogado postular junto aos órgãos do Judiciário, realizar consultoria e assessoria jurídica, além de atividades de direção. Ainda que existam algumas exceções, como a impetração de um Habeas Corpus que pode ser feito por qualquer pessoa, os limites das lawtechs e legaltechs acabam sendo delineados pelo próprio Estatuto da Advocacia. 

Atualmente, algumas lawtechs e legaltechs já se consolidaram no mercado através de modelos distintos fazendo gestão de documentos, compilação e análise de dados estratégicos, entre outros, como veremos

Contato de profissionais

Hoje algumas lawtechs e legaltechs se dedicam a criar ferramentas para a conexão de profissionais. Algumas empresas cuidam de conectar potenciais clientes a escritórios de advocacia e advogados. Outras promovem a conexão entre paralegais, correspondentes e outros prestadores de serviços que auxiliam tanto na execução das tarefas do dia a dia. 

Educação e conteúdo

Outras lawtechs como o Portal Juristas têm como finalidade difundir conteúdo de qualidade para o mercado jurídico. Algumas delas possuem serviços associados, como a divulgação de escritórios, por exemplo, outras oferecem ferramentas digitais para advogados que facilitam o dia a dia.

Gestão jurídica

A gestão de um escritório de advocacia costuma ser um desafio para muitos advogados. Assim, muitas lawtechs tem como foco a administração da banca e suas diversas frentes. Muitas lawtechs desenvolveram SaaS (software como serviço) com foco na gestão e assinatura de documentos, gestão de tempo e até gestão administrativa. Atualmente, o mercado conta com ferramentas específicas e também recursos mais robustos voltados à gestão do escritório como um todo. 

Jurimetria e inteligência artificial

Uma das grandes inovações trazidas pelas lawtechs são as ferramentas que usam modelos estatísticos aplicados para a inteligência jurídica. Sim, estamos falando da jurimetria que, na prática, pode ser traduzida como softwares que promovem o levantamento de uma grande quantidade de dados, para depois analisá-los quase em segundos. 

Com esse tipo de ferramenta, o advogado tem informações estratégicas que auxiliam no processo de tomada de decisões. Imagine, por exemplo, ter uma análise quantitativa e qualitativa de todas as decisões proferidas pela Turma de um determinado Tribunal antes de redigir uma apelação? Certamente, com esse tipo de dado o advogado tem muito mais elementos para formular suas teses, do que acessando uma simples pesquisa de jurisprudência. 

Com esse tipo de tecnologia, o advogado tem maior precisão em suas análises e, com isso, é capaz de formular melhores peças, teses e defesas para seus clientes. 

Resolução de conflitos 

Por fim, outras lawtechs que estão ganhando destaque no mercado são aquelas com foco na resolução de conflitos online como a Justto e a Mediato. Desde o Novo Código de Processo Civil (CPC), evitar o litígio deve ser sempre uma prioridade no processo. Logo, a solução dada por essas startups foi usar a tecnologia para unir as partes e tentar acordos. Essa solução, além de beneficiar os envolvidos, também é interessante para advogados e escritórios, já que o profissional conta com uma estrutura para interagir com a parte contrária e assessorar seu cliente.

O futuro das lawtechs e legaltechs

Até a pandemia, as lawtechs e legaltechs vinham se desenvolvendo de forma progressiva. Porém, como o mercado jurídico é bastante tradicional, muitos profissionais ainda resistem à adoção de ferramentas e recursos tecnológicos. 

Com a pandemia, no entanto, o advogado se viu forçado a acelerar um processo de digitalização que já estava em curso em muitos escritórios de advocacia. E, ao contrário do que era esperado, mesmo usando ferramentas que não eram novas, a adaptação ao home office gerou entraves e desafios. Embora nesta pesquisa as conclusões apontem que escritórios que já contavam com a tecnologia sofreram menos com a pandemia, isso não quer dizer que bancas que já utilizavam softwares jurídicos e outras ferramentas tecnológicas não tiveram problemas.

A adoção de ferramentas tecnológicas em um ambiente remoto requer também a criação de uma nova cultura corporativa. E, nesse sentido, mesmo escritórios que já usavam ferramentas como softwares jurídicos, por exemplo, se viram perdendo qualidade e produtividade nesse processo de migrar totalmente para o digital. O que a pandemia ensinou foi que não basta enviar o time de advogados para o home office. É preciso investir em engajamento, comunicação eficiente, entre outros detalhes. 

O novo cenário, apesar de próspero para as lawtechs e legaltechs, também representa desafios. Afinal, essas empresas devem investir mais em questões como a usabilidade das ferramentas e acessibilidade, para ganharem espaço no mercado. Hoje, os advogados já perceberam que as ferramentas sozinhas não fazem o escritório. Por isso, é preciso que elas se adaptem facilmente à realidade de quem as opera, para que se tornem efetivas. 

Apesar dos desafios, a inovação e a criatividade que estão no interior das lawtechs e legaltechs podem ser a saída para que muitas dessas empresas se desenvolvam e conquistem de vez seu espaço no mercado. 

Você já sabia sobre o futuro das lawtechs e legaltechs? Confira também quais são as tendências e desafios para o mercado jurídico em 2021.

*Artigo escrito em co-autoria com Helga Lutzoff Bevilacqua

Lawtechs e legaltechs
Créditos: Sora Shimazaki / Pexels

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