TRT-MG decidirá sobre a constitucionalidade do acesso da Justiça Gratuita

Data:

Medidas Cautelares
Créditos: Michał Chodyra / iStock

O Pleno do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) julgará nos próximos dias a constitucionalidade do acesso do trabalhador à Justiça Gratuita nos moldes inseridos pela Reforma Trabalhista de 2017. Está em discussão pontos da legislação trabalhista que barram o direito do trabalhador ao benefício da gratuidade em processos na Justiça do Trabalho.

O debate diz respeito a decisão que reconheceu a relevância da matéria relativa à inconstitucionalidade da expressão “desde que não tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa”, constante do § 4o do artigo 791-A da CLT, E da expressão “ainda que beneficiária da justiça gratuita”, constante do caput do artigo 790-B, e à íntegra do § 4o do referido artigo, na redação dada pela Lei 13.467/2017.

A tese da inconstitucionalidade da legislação trabalhista que veda o acesso do trabalhador à Justiça Gratuita é defendida no parecer realizado pelos advogados Ricardo Pereira de Freitas Guimarães, doutor e mestre em Direito do Trabalho e professor da pós-graduação da PUC-SP, e Henrique Garbellini Carnio, doutor e mestre em Filosofia do Direito e Teoria do Estado e professor do Mackenzie, a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais (OAB-MG) e da Associação Mineira dos Advogados Trabalhistas.

“Por diversas razões, a inconstitucionalidade deste caso é patente. Conceder o direito à justiça gratuita e fazer com que o trabalhador, posteriormente, arque com a sucumbência de forma obrigatória, como aponta o § 4o do art. 791-A da CLT, é promover um meio desproporcional que eiva de inconstitucionalidade o dispositivo em razão de esvaziar o conteúdo mesmo do direito fundamental do cidadão de direito aos benefícios à justiça gratuita e ao próprio acesso à justiça”, afirmam os advogados.

“Podemos afirmar que não está de acordo com a Constituição Federal as normas infraconstitucionais que autorizam a utilização de créditos, trabalhistas ou de outra natureza, obtidos em virtude do ajuizamento de um processo perante o Poder Judiciário, pois este fato – eventual êxito num demanda no judiciário – não tem o condão, por si só, de modificar a condição de miserabilidade jurídica do trabalhador”, avaliam.

Freitas Guimarães também ressalta que o direito à gratuidade da justiça não é de isenção absoluta. “Não existe direito absoluto de custas e outras despesas processuais. A relação jurídica albergada por esta norma é de natureza continuativa, ou seja, há desobrigação do beneficiário de pagá-las enquanto perdurar o estado de hipossuficiência econômica”, pontua.

Os pareceristas destacam que no Brasil existem grandes fatores de obstáculos ao acesso à Justiça. “A dificuldade de acesso à justiça implica no acirramento das desigualdades sociais. A dificuldade do acesso isonômico à educação, mercado de trabalho, saúde, dentre outros direitos de cunho econômico, social e cultural evidencia a importância de buscar pela preservação de direito”, afirmam. “E a garantia deste acesso está fundamentada em nossa Constituição Federal em suas garantias fundamentais de assistência judiciária integral e gratuita (art. 5º LXXIV) e do acesso à Justiça (art. 5º, XXXV), além dos princípios fundamentais da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III) e dos valores sociais do trabalho (art. 1º, IV), os objetivos fundamentais de construção de uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, I), de erradicação da pobreza e marginalização, bem como da redução das desigualdades sociais (art. 3º, III) e do direito fundamental à isonomia (art. 5º, caput)”.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo